Ensino e Aprendizagem: Responsabilidade Recíproca

Um terço do ministério terreno de Jesus foi dedicado ao Ensino (Mt 4.23).
Depois do mandato do nosso Senhor Jesus Cristo à Grande Comissão (da qual eu e você fazemos parte): "Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a guardar todas as coisas que vos tenho mandado; e eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém!"

Um terço do ministério terreno de Jesus foi dedicado ao Ensino (Mt 4.23). Jesus deu e dá importância às Escrituras Sagradas, "porque as verdades nela contidas, são verdades redentoras e não acadêmicas, são questões que envolvem a vida ou a morte, e que exigem uma resposta e decisão pessoal, tanto do ensinador quanto do aluno".
Saiba mais:

1. Tríplice tarefa de evangelizar, discipular (ensinar) e batizar.
Mt 28. 19-20, ficou subentendido que os discípulos são ensinadores. Independentemente dos diferentes dons concedidos pelo Supremo Mestre (Ef 4-11), a Grande Comissão deve ser homogênea na tríplice tarefa de evangelizar, discipular (ensinar) e batizar. Este tripé não é para a Igreja algo opcional, é uma ordem imperativa e compulsória.


Vez por outra, quando se fala em ler para aprender, recebemos como resposta versículos isolados e retirados do seu contexto original como desculpa para não estudar; um deles, bastante popular: "... porque a letra mata, e o Espírito vivifica", 2 Co. 3.6, ao estudarmos o contexto desse versículo, descobrimos que ele não se refere ao ensino secular e muito menos teológico e sim à Lei Mosaica.

A parte "a" do versículo 20 diz, "ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado..." As "coisas" às quais o Senhor Jesus se refere, tratam de Doutrinas da Salvação, que são as mais fáceis de se entender (Glória a Deus por isso).

Porém, há algumas coisas que merecem ser analisadas antes de sairmos a discipular. Dentro dessa linha de doutrina, existem outras ramificações que formam a Soteriologia (estudo sistemático das verdades bíblicas que tratam da salvação, regeneração, justificação, adoção e santificação do ser humano com base na obra vicária de Cristo). Na atual realidade, é inviável o comissionado sair para sua missão, sem antes se preparar e obter o devido conhecimento do plano de salvação estipulado por Deus desde a queda do homem.

Alguns se aproveitam do que Jesus disse em Mateus 10.19, "Mas, quando vos entregarem, não vos dê cuidado como, ou o que haveis de falar, porque, naquela mesma hora, vos será ministrado o que haveis de dizer". Utilizam-se desta passagem como pretexto para não examinar sistematicamente a Palavra do Senhor e demais obras congêneres, as quais nós utilizamos para lançar luz em palavras obscuras. O próprio apóstolo Paulo tinha suas fontes de consulta para um maior domínio da Palavra de Deus: "Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos" (2Tm 4.13).

Nós só podemos recordar o que um dia já vimos. Lembre-se do que diz Isaías, "O Senhor Jeová me deu uma língua erudita para que eu saiba dizer, a seu tempo uma boa palavra ao que está cansado. Ele desperta-me todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que ouça como aqueles que aprendem" (Is 50.4).

Os apóstolos Pedro e João eram considerados pelo Sinédrio como "homens sem letras e indoutos", At 4.13, porém o Espírito Santo ministrou o que eles deveriam dizer. Os argumentos usados por eles, foram todos com base nos ensinamentos que outrora ouviram do Mestre, (At 4.11) ou seja, os apóstolos disseram aquilo que já sabiam. O Espírito Santo neste caso, apenas orientou-os o que dizer e a que hora falar.

Eu creio que o Espírito Santo possa intervir e ajudar-nos a discursar qualquer assunto sem que tenhamos conhecimento do mesmo, todavia, este será um caso excepcional onde nossa capacidade de conhecimento foi inatingível.

Em suma, valer-se desse versículo como escusa para não estudar, é equiparar-se ao sacerdote de Oséias 4.6.

Como membros da Grande Comissão é nossa responsabilidade estudarmos a Palavra de Deus para ensinarmos corretamente e não sermos envergonhados quando saímos para executar nossa missão.

2. Dom exclusivo do magistério cristão
Ainda no âmbito educacional, vemos de modo explícito a Palavra de Deus afirmar que existe o dom exclusivo do magistério cristão, (1 Co 12.28 e Ef 4.11). Esta atividade independe do nosso compromisso com a Grande Comissão. Ele é singular.

E um dom sobrenatural quanto à interpretação e aplicação das Escrituras Sagradas, constituindo-se numa ação direta do Espírito Santo sobre o que ensina, abrindo-lhe as faculdades mentais para que compreenda os arcanos divinos e assim aplique-os à vida da Igreja de Cristo.

Alguém menos avisado poderá rapidamente pensar que com a definição acima nada tenha a fazer senão abrir a Bíblia e a esmo disparar a falar. Não! Tal como a aprendizagem, semelhantemente é o ensino, ambos são evolutivos (Ef 4.12-13 e Atos 18.24-25).

Depois de revelar o título concedido à pessoa que possui este dom, o apóstolo Paulo adverte aos portadores: "Se é ensinar, haja dedicação ao ensino", Rm 12.7b.


Dedicação é a palavra que denota a célula mater desse dom. Na execução da atividade educativa, excluir esta palavra, é negligenciar a vocação. Não podemos esquecer que inerentes ao privilégio de ensinar, encontram-se as responsabilidades cabíveis ao encargo.

Na segunda epístola do apóstolo Pedro no capítulo 3 versículos 15 e 16, ele já falava sobre "pontos difíceis de entender", referindo-se às epístolas do apóstolo Paulo. E nesses pontos que encontra-se a incumbência do ensinador, é seu compromisso aclarar esses textos e trazer a lume seu verdadeiro sentido.

Logicamente que para isso, ele terá que buscar ajuda divina através da oração e também nos recursos literários que obrigatoriamente deva possuir.

3. Sobre os Professores e o preparo.
Não raras vezes, professores despreparados vão para adiante de uma classe de ED lecionar. Quando isto ocorre podemos diagnosticar: A pessoa não possui aptidão para ensinar. Está exercendo relaxadamente aquilo que com tanto amor o Senhor lhe confiou.

3.1. O Professor e a Lição.
O professor deve ter em mente que não está ali apenas para ler a lição e sim para esclarecê-la, haja vista a diferença de graus escolares em classes diversificadas como as da Escola Dominical.
Seja mais assíduo e leitor da Bíblia! Ore mais! Estude e amplie seus conhecimentos para que, a cada domingo, a qualidade de suas aulas possa ser melhor e a frequência com isso venha aumentar.

3.2. Erro a ser evitado pelo professor.
Um dos erros cruciais que o professor comete quando não esclarece a lição é subestimar o conhecimento dos alunos, pois ao pronunciar palavras difíceis e incomuns, os menos alfabetizados se sentem constrangidos e interiorizados. É bíblico contextualizarmos a mensagem conforme as possibilidades intelectuais de cada um.

3.3. O Incentivo como um recurso de ensino.
Dentro de sua filosofia educacional, o ensinador deve adotar vários recursos de ensino, um deles é o incentivo. Ao invés de deixar seus alunos ociosos durante toda a semana, estimule-os a estudarem não somente a leitura diária, mas toda a lição. Estando todos familiarizados com o assunto, com certeza a aula será melhor aproveitada a participativa.

3.4. Evitando conversas alheias ao tema da lição.
Algumas vezes, vemos aulas serem interrompidas e mutiladas por conversas alheias ao tema da lição. Quando parte do aluno, é falta de amadurecimento e harmonia com a aula. Quando vem do professor, é preciso substituí-lo rapidamente!

Saiba mais:

Artigo: César Moisés Carvalho | Ensinador Cristão, Ano 1 Número 4. Reverberação: Escola Bíblica Dominical


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