O Livro Texto da Escola Dominical, a Bíblia Sagrada

A Bíblia é a Palavra viva de Deus que narra o esforço do Todo-Poderoso por revelar-se e salvar o homem perdido.

O Todo-Poderoso revelou-se à humanidade plenamente através de seu Filho Jesus Cristo - palavra viva; tornou-se homem para dar ao gênero humano uma ideia concreta, definida e palpável do que seja a pessoa que devemos ter em mente quando pensamos em Deus - Deus é tal qual Jesus.

Toda a Bíblia se desenvolve ao redor da bela história de Cristo e de sua promessa de vida eterna. Seu aparecimento na terra, indubitavelmente, é o acontecimento central de toda a história. Cristo é o Verbo Divino, a Palavra de Deus em ação, tema unificador: o assunto central da Bíblia.

O Antigo Testamento forneceu o cenário para o surgimento do Messias. O Novo, descreve-o com perfeição. Assim, Cristo se esconde no Antigo Testamento e é desvendado no Novo.

Os crentes anteriores a Cristo olhavam adiante com grande expectativa, ao passo que os crentes de nossos dias veem em Cristo a concretização dos planos de Deus: o perfeito e harmonioso cumprimento da Bíblia.

Quem é o autor da Bíblia? Quem é seu real intérprete?
Deus é o autor da Bíblia por excelência, e o Espírito Santo, seu real intérprete.
Embora Deus seja o genuíno autor da Bíblia, inspirou cerca de 40 homens para escrevê-la. Esses homens tinham diferentes atividades, viviam distantes uns dos outros, tinham estilos e características distintas e eram provenientes de três continentes. O trabalho de todos levou pelo menos uns 1.500 anos - de Moisés ao apóstolo João.

Independente dessas circunstâncias, na Bíblia há um só plano mostrando, de fato, que há um só autor divino a guiar o homem. Isto é o que garante a unidade da revelação bíblica.

1. A formação do cânon sagrado
Você conhece a origem da Bíblia? Sabe como, em quanto tempo e, em quais condições ela foi formada? Sabe o que ela representa e sempre representará para a humanidade?
A palavra cânon, expressão latina, deriva-se do termo grego kanõn, que significa literalmente "vara reta de medir" ou "régua de carpinteiro". Em outras palavras, este termo denota um padrão de medida excelente e rigoroso.

Aplicado às Escrituras o cânon significa aquilo que serve de norma, regra de fé e prática. Deste modo, o cânon Sagrado é uma coleção de livros que foram aceitos por sua autenticidade e autoridade divinas. Isto significa que os livros que hoje formam a Bíblia satisfizeram o padrão, ou seja, foram dignos de serem aceitos e incluídos.

Os livros da Bíblia são denominados canônicos para não serem confundidos com os apócrifos, escritos não inspirados e não autorizados por Deus.

O emprego do termo cânon foi primeiramente aplicado aos livros da Bíblia por Orígenes (185-254dC).

1.1 Como se formou e em quanto tempo se completou o cânon do Antigo Testamento?
O cânon do Antigo Testamento foi formado num período aproximado de 1.046 anos - de Moisés a Esdras.
Moisés começou a escrever o Pentateuco cerca de 1491aC. Esdras surge por volta de 445aC.

Esdras, segundo a literatura judaica, na qualidade de escriba e sacerdote, presidiu um conselho formado por 120 membros chamado Grande Sinagoga. A Grande Sinagoga selecionou e preservou os rolos sagrados, determinando naquele tempo o cânon das Escrituras do Antigo Testamento (Ed 7.10,14).

Foi essa mesma entidade que reorganizou a vida religiosa nacional dos repatriados e, mais tarde, deu origem ao supremo tribunal judaico denominado sinédrio.


2. A formação do cânon se deu gradualmente
Antes mesmo de Deus ter ordenado a Moisés que escrevesse pela primeira vez um memorial a respeito da vitória de seu povo sobre os amalequitas a Palavra de Deus já circulava entre os homens sob o método da transmissão oral: "Escuta-me, mostrar-te-ei; e o que tenho visto te contarei; o que os sábios anunciaram, ouvindo-o de seus pais, e o não ocultaram..." Jó 15.17-18.
Agora observe as evidências da formação do cânon na própria narrativa bíblica.

2.1. Moisés
Moisés começou a escrever o Pentateuco cerca de 1491aC, concluindo-o por volta de 1451aC.

Não há evidência de que o homem tivesse a palavra de Deus escrita antes do dia em que Jeová disse a Moisés: "Escreve isto para memória num livro e relata-o aos ouvidos de Josué...", Êx 17.14.

A memória de Amaleque seria riscada para sempre. Esse foi o juramento que fez o Senhor. O Todo-Poderoso queria que aquela vitória fosse registrada num livro para que Israel jamais se esquecesse daquele livramento, provisão e justiça divinos. Mais tarde, Deus haveria de configurar o Livro santo e reafirmar seus propósitos a Moisés: "Escreve estas palavras; porque conforme o teor destas palavras tenho feito aliança contigo e com Israel" Êx 34.27. [grifo nosso]

2.2. Josué e Samuel
Josué (1443aC), sucessor de Moisés, escreveu uma obra que colocou "perante o Senhor" (Js 24.26).
Samuel (1095 d.C.), último juiz e profeta, também escreveu, pondo seus escritos "perante o Senhor", 1 Sm 10.25.

Afinal de contas, o que significa escrever e colocar "perante o Senhor"?
Sobre isto, Deus já havia instruído a Moisés: "E porás o propiciatório em cima da arca, depois que houver posto na arca o testemunho que te darei", Êx 25.21.

Tudo nos leva a crer que, naquele tempo, os livros sagrados eram depositados na Arca do Concerto à medida que iam sendo escritos. Deste modo, quem intentaria pelo menos tocar na santíssima Arca, onde o Altíssimo fulgurava sua glória? Deus havia arrumado uma forma bem original de preservar as Sagradas Escrituras.

2.3. Isaías
Isaías (770 d.C.), profeta e conselheiro de confiança do rei Ezequias, afirma que suas inspiradas profecias se cumpririam cabalmente e estariam registradas por escrito no Livro de Jeová. Trata-se de explícita referência às Escrituras na sua formação: "Buscai no livro do Senhor, e lede...", Is 34.16.

2.4. Salmos
Em (726 d.C.) os Salmos já eram cantados: "Então o rei Ezequias e os príncipes disseram aos levitas que louvassem ao Senhor com as palavras de Davi, e de Asafe. E o louvaram com alegria e se inclinaram e adoraram", 2Cr 29.30.

2.5. Jeremias
O Senhor ordenou a Jeremias (626 d.C.) que registrasse sua promessa de trazer seu povo do cativeiro: "A palavra que do Senhor veio a Jeremias dizendo: assim diz o Senhor Deus de Israel: Escreve num livro todas as palavras que te tenho falado", Jr 30.1-2.

2.6. Josias
No tempo do rei Josias (621 a.C.), época em que o Templo estava sendo, reparado, o sacerdote Hilquias achou o "Livro da Lei" (2Rs 22.8-10). Quando o Livro santo foi lido perante o rei, o grande monarca percebeu quanto o povo estava fora da vontade de Deus e renovou a aliança com o Senhor.
Este episódio é uma evidência da formação do cânon naquela época, porém, também patenteia-nos uma grande lição para os nossos dias. Quando a Palavra de Deus é relegada, o povo se corrompe.

2.7. Daniel
Daniel (553aC) refere-se aos livros (Dn 9.2). Eram os rolos sagrados das Escrituras de então.

2.8. Zacarias
Zacarias (520 d.C.) declara que os profetas que o precederam falaram da parte do Espírito Santo (7.12). Não há aqui referências direta a escritos, mas há inferências. Zacarias foi o penúltimo profeta do Antigo Testamento, isto é, profeta literário.

2.9. Neemias
Neemias nos seus dias (445 a.C.), achou o livro das genealogias dos judeus que já haviam regressado do exílio (7.5). Certamente havia outros livros.

2.10. Ester
Nos dias de Ester, o Livro Sagrado estava sendo escrito. Ester e, Mardoqueu foram usados por Deus para livrar Israel do extermínio, intentado pelo maléfico Hamã.
Para que esse feito fosse lembrado perpetuamente, instituíram e registraram "no livro" a festa de Purim, "... e escreveu-se no livro" (Et 9.32).

3. Os livros apócrifos do Antigo Testamento

A palavra apócrifo significa, literalmente "escondido", "oculto", isto em referência a livros que tratem de coisas secretas, misteriosas, ocultas.
significa não genuíno, espúrio, suposto, ilegítimo.

Os livros apócrifos foram escritos entre Malaquias e Mateus, ou seja, entre o Antigo e o Novo Testamento, numa época em que cessara por completo a revelação divina.
Nunca foram reconhecidos pelos judeus como parte do cânon hebraico. Jamais foram citados por Jesus nem foram reconhecidos pela igreja primitiva.

Apareceram pela primeira vez na septuaginta, a tradução do Antigo Testamento feita do hebraico para o grego. Quando Jerônimo traduziu a famosa Vulgata, no início do século 5, incluiu os apócrifos oriundos da septuaginta.

São 11 os escritos apócrifos: sete livros e quatro acréscimos a livros.
Os sete livros apócrifos constantes das Bíblias de edição católico-romana são: Tobias, Judite, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico, Baruque, 1 Macabeus, 2 Macabeus.

Os quatro acréscimos ou apêndices são: Ester (a Ester 10.4-16.24); Cânticos dos três santos filhos (a Daniel 3.24-90); História de Suzana (Daniel 13); Bel e o Dragão (a Daniel 14).
Em 1546, no Concilio de Trento, a Igreja Romana aprovou os apócrifos (escritos que apoiavam seus falsos ensinos) para combater o movimento da Reforma Protestante.

4. Nos dias de Jesus

Na época de Jesus, os 39 livros do Antigo Testamento já eram plenamente aceitos pelo judaísmo como divinamente inspirados. O Senhor referiu-se repetidas vezes ao Antigo Testamento, reconhecendo-o como a Palavra de Deus (Mt 19.4 e 22.29). Para se conferir a confiança que os escritores do Novo Testamento tinham do Antigo, basta conferir as centenas de citações da Lei, dos profetas e dos escritos feitos por eles.

Concluímos que, começando por Moisés, à proporção que os livros iam sendo escritos, eram postos no tabernáculo, junto ao grupo de livros sagrados. Esdras, como já dissemos, após a volta do cativeiro, reuniu os diversos livros e os colocou em ordem, como coleção completa. Destes originais eram feitas cópias para as sinagogas largamente disseminadas.

O cânon do Antigo Testamento só foi realmente reconhecido e fixado no Concilio de Jâmnia em 90dC.

Houve muitos debates acerca da aprovação de certos livros, porém, o trabalho desse Concilio foi apenas ratificar aquilo que já era aceito por todos os judeus através dos séculos.

5. O cânon do Novo Testamento

Como no Antigo Testamento, homens inspirados por Deus escreveram, aos poucos, os livros que compõem o cânon do Novo Testamento. Sua formação levou apenas duas gerações, quase 100 anos. Em 100 d.C., todos os livros do Novo Testamento estavam escritos. O que demorou foi o reconhecimento canônico, isto motivado pelo cuidado e escrúpulo das igrejas de então, que exigiam provas concludentes da inspiração divina de cada um desses livros. Outra coisa que motivou a demora na canonização foi o surgimento de escritos heréticos e espúrios com pretensão de autoridade apostólica. Trata-se dos livros apócrifos do Novo Testamento.

6. Por que formar um cânon para o Novo Testamento?

Jesus foi o Redentor de quem o Antigo Testamento deu testemunho. Suas palavras, segundo eles, não podiam ter menos autoridade do que a Lei e os Profetas. Convencidos disto, os cristãos as repetiam sempre e as colocaram na forma escrita que se tornou o núcleo do cânon.

O tempo estava passando. Enquanto a regra tradicional da "doutrina apostólica baseada nos ensinos de Cristo e na interpretação do seu trabalho" foi mantida, não houve necessidade de escrevê-la. Mas, com a morte dos apóstolos, um a um, a tradição oral tornou-se insuficiente. As dissensões nas igrejas também tornaram o apelo à palavra escrita tanto natural quanto necessário.

Nenhum livro podia ser declarado Escritura, se não contivesse a ênfase que o tornasse como tal. Prevalecia uma unanimidade surpreendente entre as igrejas quanto aos escritos que falavam convincentemente de Deus.

O cânon do Novo Testamento aumentou sob a orientação de um instinto espiritual, em lugar da imposição de uma autoridade externa.

Os escritos aceitos eram de autoria daqueles honrados pela Igreja - Mateus, João, Paulo, Pedro - assim como de pessoas menos conhecidas, apoiadas por uma autoridade apostólica - Pedro por trás de Marcos, Paulo por trás de Lucas. Alguns livros levaram mais tempo para alcançar a canonicidade.

O cânon do Novo Testamento se fixou de forma quase universal no século 4 depois de Cristo, com Atanásio de Alexandria (325 d.C.).

No ano de 367 d.C. Atanásio enviou uma carta estabelecendo a lista dos livros sagrados que deviam ser lidos nas igrejas. Essa lista era exatamente a mesma que contém os atuais vinte e sete livros do Novo Testamento.

Porém, o cânon neotestamentário só foi definitivamente reconhecido e fixado, quando uma lista idêntica à de Atanásio foi aprovada no concilio de Cartago em 397dC.
Saiba mais:
Artigo: Pr. Marcos Tuler | Ensinador Cristão, Ano 1 Número 4. Reverberação: Escola Bíblica Dominical


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