Subsídio 1: O LIVRO DE JOSUÉ: TEMPO DE CONQUISTAS (Classe: Jovens)


ATENÇÃO!
Este Estudo tem por objetivo auxiliar no aprofundamento da lição 1
Classe: Jovens | Revista Lições Bíblicas 2° Trimestre de 2020, CPAD | Autoria: Pr. Reynaldo Odilo | Compre Aqui a Revista.

Sair da zona de conforto é demasiadamente difícil para a maioria das pessoas, haja vista que toda mudança de um padrão medíocre para um patamar de excelência traz, intrinsecamente, o exercício da disciplina e do sofrimento. Imagine uma casa pequena, que não atende às necessidades da família, mas que é “confortável”; esse será, possivelmente, o primeiro argumento contra o início de reformas estruturais no imóvel para implementação de melhorias. Pensa-se: “Se está confortável, por que mudar?”. Todavia, a ideia do proprietário da residência é transformar aquela pequena casa em outra melhor, mais ampla e confortável.
 
O problema é que isso não ocorrerá da noite para o dia, pois precisam ser feitos diversos projetos de arquitetura e engenharia para, depois de um tempo de espera e análise, os órgãos públicos autorizarem o início dos serviços. Com a instalação do canteiro construtivo, materiais serão ali colocados. Áreas do imóvel serão interditadas ou mesmo a integralidade dele (dependendo do alcance da reforma), para que, em seguida, se proceda com a derrubada de paredes, escavação de novos alicerces, etc., acarretando, com isso, barulho, poeira, confusão... depois, porém, surgirá um lindo edifício, com características diferentes, muito mais valioso, para a alegria de toda a família.

Na história, o proprietário do hipotético imóvel a ser reformado é Deus. A casa somos nós, o seu povo. Assim, o Senhor deseja que alcancemos cotidianamente novos patamares da vida cristã, sendo transformados na imagem do seu Filho, de glória em glória, pela ação do Espírito (2 Co 3.18).

No fim da Idade do Bronze, os filhos de Israel também precisavam de uma grande transformação, e, por isso, Deus tirou-os do Egito, fê-los andar em círculos por 40 anos no deserto (era a “reforma da casa”) e, depois da morte de Moisés, mandou que Josué introduzisse-os na Terra Prometida. Aquela nação que, no Egito, tinha aprendido a amassar barro com os pés, olhando para baixo, agora precisava ter o seu olhar ampliado, voltado para o que estava adiante, pois o Senhor concedera-lhe uma terra que manava leite e mel, e os hebreus precisavam tomar posse da herança. Esse foi o projeto arquitetônico de Deus, a Casa de Israel!
 
I. O Livro de Josué

1. Generalidades

O Livro de Josué inaugura um novo momento na divisão tradicional do relato bíblico: o grupo dos livros históricos. Essa nova percepção literária é visível na medida em que, na literatura escrita por Moisés, ressaem narrações de histórias a partir da criação dos primeiros seres humanos no Gênesis; todavia, o ponto alto, a tônica de todo o conjunto da obra mosaica, aparece com veemência no estabelecimento das leis morais, civis e cerimoniais que regeriam os israelitas, indicando como seriam as interações familiares, sociopolíticas e, sobretudo, espirituais, como se relacionar com o Altíssimo, adorando-o e vivendo somente para Ele. Essa fase encerrou-se exatamente com o longo discurso de Moisés exposto em Deuteronômio; ato contínuo, o Livro de Josué começa em seguida, contando a história da liderança de, aproximadamente, 24 anos1 de Josué sobre o povo.

A maioria dos estudiosos afirmam que a quase totalidade do texto foi escrito pelo comandante Josué em torno de 1.400 a.C., no fim da Idade do Bronze, continuando a história dos israelitas após a peregrinação de 40 anos no deserto, descrita no Livro de Números, como também dá sequência ao pequeno espaço de dias do Livro de Deuteronômio. Entretanto, a rigor, o importante não é a pena que tingiu as palavras do texto, e sim o Espírito que as inspirou.

Nesse instante, salta aos olhos a capacidade de Deus em trocar a cadeia de comando do seu povo sem trazer prejuízos. É certo que, de um lado, todas as pessoas são insubstituíveis, pois jamais haverá dois indivíduos iguais. Poderá até surgir alguém semelhante a Moisés (Dt 18.15, ARA), mas não como ele (Dt 34.10, ARA), haja vista que Deus é extremamente criativo e, por isso, Ele nunca forjará dois seres humanos com a mesma identidade. Até Eva, que foi formada a partir de uma costela de Adão, apresentava características completamente diferentes das dele, conforme se observa no Gênesis. Logo, a expressão “você é insubstituível” está correta. Entretanto, paradoxalmente, a máxima de que todas as pessoas são substituíveis também está correta, ao passo que, quando existe a necessidade de mudança, o Senhor possui o(s) instrumento(s) certo(s) para continuar(em) o projeto de vida do seu povo. Em suma: enquanto indivíduos, os seres humanos são insubstituíveis; todavia, enquanto elementos de engrenagem na obra de Deus, todos somos totalmente substituíveis!

Outrossim, deve-se atentar para uma última nuance deste tópico: a substituição em si nem sempre carrega tons de reprovação da parte de Deus! Talvez, até, na maioria das vezes, a substituição dos instrumentos de Deus é desencadeada pela conclusão de uma fase do plano do Altíssimo. Portanto, qualquer pessoa que avente a hipótese de que a substituição de Moisés por Josué teve como fundamentação a reprovação do antigo líder está profundamente enganada. Na verdade, Moisés pôde descansar da sua vida, sabendo que o seu sucessor fora devidamente escolhido, provado e capacitado pelo Senhor. Diferente seria propor isso da substituição de Saul, o qual foi expressamente rejeitado por Deus (1 Sm 15.26-28).

2. Como era o mundo na época

Segundo pesquisas históricas, quando Israel transpôs o Rio Jordão, muitos povos ao redor do mundo já estavam em estágio civilizatório bem mais avançado. Por exemplo, em 1.700 a.C., na Babilônia, a astronomia começava a ganhar ares de ciência, tendo já sido identificado o planeta Vénus. Os hititas (que possuíam técnicas metalúrgicas sofisticadas para a época e manipulavam minério de ferro), em 1.600 a.C., invadiram e saquearam a Babilônia. Foi nesse período que surgiu o idioma grego. No Japão, a primeira fase da civilização Jomon chegava ao seu apogeu. Na China, a primeira Dinastia Imperial — a Chang — trabalhava com elementos da idade do Bronze e do Ferro. Na ilha de Creta, a pujante civilização Minoica, com economia baseada essencialmente no comércio exterior, foi destruída, assumindo no seu lugar a civilização Micênica. Em vários lugares da Europa, as populações começaram a erguer vilas fortificadas. No Peru, mais ou menos nesse período, foi iniciado o uso de instrumentos de metais, porém não havia civilização na América do Norte, sendo que o primeiro povo surgiu no México, os olmecas, por volta de 1.500 a.C. O Império Assírio viria a surgir 1.200 anos a.C., e a Cidade de Roma foi fundada às margens do rio Tibre somente em 21 de abril de 753 a.C. Não há registro de “civilização” em 1.400 a.C. na Oceania.

Naqueles idos, o Egito era uma rica nação, não obstante houvesse perdido a mão de obra escrava dos hebreus; contudo, hoje, aquele reino de reis-deuses é um pobre e carente país de 3o mundo, cujos resquícios das suas antigas riquezas limitam-se a grandes túmulos de homens que se achavam divinos. A Babilônia e a Assíria, que destruíram muitas nações ao longo da história, já não existem mais. Israel, porém, uma nação formada inicialmente por ex-escravos, decorridos mais de três milênios, acima de todas as expectativas, mostrou-se um projeto de sucesso, sendo hoje, juntamente com o Japão, os dois únicos países de 1o mundo da Ásia.

Essa pequena incursão histórica serve para mostrar como era o mundo quando Deus mandou Israel entrar na sua herança, levando-nos a entender que o Senhor tem o tempo certo para realizar a sua obra no meio dos anos e que não adianta pensar que estamos atrasados ou adiantados em relação aos outros, pois Deus é o dono do tempo e tudo faz como lhe apraz.

3. Como era Canaã na época

A terra de Canaã, por seu turno, quando Israel atravessou o Jordão (diferentemente do período dos primeiros patriarcas hebreus Abraão, Isaque e Jacó, os quais circulavam sem problemas por toda aquela área), era densamente habitada por sete etnias (Dt 7.1; At 13.19) que estavam espalhadas em 31 reinos (cidades-estados) (Js 12.24), sendo que uma das cidades mais importantes e antigas era a grandemente fortificada Jerico, cuja colossal muralha havia sido construída, de acordo com estudos recentes naquele sítio arqueológico, a aproximadamente 800 anos antes. A captura de Jerico, por consequência, seria estratégica, pois ela estava encravada no centro de Canaã e, assim, daria acesso ao restante do território. Outro lugar importante era a Cidade de Ai, que permitiria a entrada ao lado ocidental (oeste, lado esquerdo dos mapas).

O território de Canaã não era uma grande extensão de terra; entretanto, ali havia solo bastante fértil, que produzia excelentes uvas, figos, azeitonas, etc., um oásis em meio à secura das nações vizinhas. Deus havia prometido que lá não haveria águas fluviais suficientes para fazer a irrigação para as plantações, como existia no Egito, mas o Senhor traria regularidade de chuvas (temporãs) e também precipitações pluviométricas ocasionais (serôdias), propiciando abundância de colheitas (Dt 11.10-15).

Essa terra abençoada (Nm 34.1-15; Dt 3.8) ficava localizada a 480 km do Egito para o sul. A 1.100km para nordeste, encontrava-se Nínive, e, para o leste, também a 1.100 km, a Babilônia, e, mais além, no mesmo sentido, a 1.600 km, situava-se a Pérsia. Para o noroeste, a 1.300 km, a Grécia, e, após, a 2.400 km, poderia ser encontrada a cidade de Roma (fundada séculos após a conquista da Terra Prometida). Hoje, todo esse território compreende a região correspondente ao Estado de Israel, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, além de partes da Jordânia, do Líbano e da Síria.

Assim, como se pode perceber, nessa estreita faixa territorial, coexistiam apertadamente 31 reinos, o que, por si só, demonstra que a maioria deles não possuía relevância política continental, porém eram beligerantes, vivendo em constantes guerras, o que os fez construírem cidades fortificadas ao longo dos séculos; também vale ressaltar que os seus guerreiros eram muito valentes, havendo, inclusive, gigantes entre eles.

Sob o prisma cultural, essa miscelânea de povos canaanitas notabilizou-se pela mais sórdida licenciosidade e brutalidade conforme achados arqueológicos na Cidade de Ugarit, em 1928, (tabuinhas do Ras Shamra), bem assim pelas descobertas de como eram as práticas do culto à fertilidade, com base nos elementos cultuais desenterradas em Bete-Shan, Megido, dentre outras. As características imorais das divindades canaanitas, dentre elas o deus Baal, que esses e outros achados arqueológicos revelaram, conduziam os idólatras às práticas mais abjetas, tais como a prostituição cultual, a adoração de serpentes e o sacrifício de crianças. Conhecendo tal realidade histórica, torna-se mais fácil entender o motivo pelo qual Deus ordenou que Israel exterminasse todos os canaanitas: a execução do juízo divino, porque a medida da iniquidade deles encheu-se perante o Senhor, evitando, ademais, o perigo do sincretismo religioso do monoteísmo hebreu com o paganismo, o que tornaria vão todo o projeto de Deus em estabelecer um povo seu, zeloso e de boas obras.
 
II Propósito, Divisão e Valor

1. Propósito

O livro de Josué foi escrito com o objetivo primacial de deixar gravado nos anais da história o mover de Deus no tempo da liderança de Josué. O autor começou mostrando que o tempo de conquista da Terra Prometida aconteceu, em primeiro lugar, porque Deus interveio soberanamente na história chamando, fortalecendo e estimulando aquele que lideraria o povo.

A partir desse episódio inicial, os demais fatos aconteceram como consequência. Os espias foram enviados à Jerico, o Rio Jordão abriu-se, os muros de Jerico caíram... Israel conquistou Jerico e, sequencialmente, outros 30 reinos durante alguns anos, mostrando, assim, toda a caminhada ministerial de Josué, apresentando detalhes abreviados e seletivos de algumas batalhas, bem como mencionando acerca das condições nas quais a terra não apenas foi conquistada, como também dividida em áreas tribais. Isso devia ser registrado, porque todo judeu precisava conhecer quem foi o responsável pelo grande milagre do eisodus (entrada em Canaã) e como aconteceu o início da organização política, social e religiosa do país de Israel. Por fim, Josué renovou a aliança com Deus e despediu-se dos hebreus, conclamando-os que servissem fielmente ao Senhor!

Após a morte de Josué, conforme o Talmude, alguém acrescentou os cinco últimos versículos da obra, na qual foi narrada a morte do líder, desfechando, sob a inspiração do Espírito Santo, o fim da gloriosa trajetória da conquista da Terra Prometida.2

2. Divisão

A clara divisão estabelecida no Livro de Josué mostra-se bastante importante, pois delineia os estágios da conquista hebreia, não só estratégicos, do ponto de vista bélico, mas também espirituais. Ora, a divisão começa com a confirmação do chamado feito por Deus para que o comandante assumisse a liderança maior da nação. Pergunta-se: Qual guerra narrada nos anais da história começa com as experiências espirituais do líder? Somente uma literatura inspirada sobrenaturalmente pelo Senhor iria ocupar-se em tal minúcia.

Posteriormente, em todo o texto, o realce dos aspectos morais e espirituais da tropa aparece com frequência, fazendo emergir a importância de tais comportamentos para as vitórias que viriam. Por fim, quando a missão de Josué estava chegando ao seu final, foram realizadas duas assembleias solenes, nas quais Deus fala com o povo, a aliança espiritual é renovada, e Josué insta a que os hebreus permaneçam fiéis ao Senhor.

O término do livro deu-se pelas mãos de outra pessoa, encerrando, assim, um ciclo histórico glorioso de forma vibrante e coerente, uma obra-prima da literatura universal.

Por amor à didática, segue a divisão interna do livro, extraída da Bíblia de Estudo da Mulher Cristã, lançada pela CPAD, p. 364:

I. Preparação para a conquista (1.1-5.15).
A. Preparando o povo (1.1-2.24);
B. Preparando a estratégia (3.1-5.15).
II. A conquista efetiva (6.1-12.24).
A. As primeiras cidades (6.1-8.35);
B. Os gibeonitas e o resto da terra (9.1-12.24).
III. A divisão da terra (13.1-22.34).
A. Uma porção de terra para cada tribo (13.1-19.51);
B. As instruções especiais para as cidades de refúgio, os levitas e as tribos a leste do Jordão (20.1-22.34).
IV. A mensagem final de Josué (23.1-24.33).
A. As últimas palavras de Josué (23.1-24.13);
B. A renovação do concerto (24.14-33).

Não obstante essa excelente segmentação do Livro de Josué, entendo necessário, com todas as vénias, dois pequenos acréscimos: o chamado (1.1-9) e o falecimento de Josué (24.29-33), conforme já mencionado anteriormente, diante da relevância desses episódios. Sem eles, a obra careceria de introdução e conclusão. Sabemos, porém, que tudo o que Deus faz tem começo, meio e fim.

3. Valor

A importância do livro de Josué é inquestionável, não só histórica, mas, sobretudo, espiritualmente, para todas as gerações de hebreus e cristãos, até nossos dias. O Dicionário Wycliffe lança luzes, mencionando o valor desse livro:

Josué é o primeiro dos livros da história profética que descreve o relacionamento de Deus com um povo escolhido depois da morte de Moisés, o mediador da aliança do Sinai. Existe um forte senso de continuidade histórica no fato de Deus, em fidelidade à sua aliança com os patriarcas e as nações teocráticas, conduzir Israel à terra da bênção e estabelecer as tribos em sua terra prometida. Através de atos reais e poderosos de redenção, Ele exibe a sua presença e poder. Esses atos são, ao mesmo tempo, reais e proféticos do segundo Josué, isto é, do seu Jesus Cristo, nosso Salvador.

A Era de Josué representa o ápice da fé conjunta e da fidelidade no AT. E, como tal, ela também é profética em relação à fé dos remanescentes de Israel no final dos tempos, que irão triunfar sobre seus inimigos no dia do Senhor. Da mesma forma, o livro de Josué ilustra o atual conflito do povo de Deus contra os poderes malignos — contra os iníquos reis e príncipes do mundo invisível, os governantes cósmicos dessa era de trevas, as hostes espirituais da maldade na esfera sobrenatural — e contra o próprio Satanás (Ef 6.10-18). Essa guerra espiritual é enfrentada quando o crente se esforça fervorosamente para possuir tudo o que Deus lhe prometeu em Cristo (Ef 1.3).3

No Comentário Bíblico Moody, também se assevera, no mesmo diapasão:

Assim, a história redentora de Israel entrando e possuindo Canaã ilustra a experiência espiritual cristã de conflito, vitória e bênçãos nas esferas celestiais (Ef. 1:3; 2:6; 6:12) por meio do grandioso poder de Deus (Ef. 1:19, 20; 6:10). Em Hebreus 4, o repouso em Canaã depois das inúteis lutas no deserto, apresenta-se-nos como um tipo de nosso presente repouso espiritual na obra consumada de Cristo e na Sua contínua intercessão para nos capacitar a derrotar o ego e Satanás.4

Sem dúvida, tanto espiritual quanto historicamente, a obra exibe tesouros preciosos inigualáveis e, ademais, pode-se acrescentar, trazidos por alguém muito sincero e humilde, que, ao dissertar, não omitiu nenhum dos seus próprios erros e também do povo, apresentando pessoas falíveis relacionando-se com o Deus Eterno, o qual, cheio de bondade e misericórdia, cumpriu integralmente a sua promessa para demonstrar que, não obstante algumas escolhas equivocadas dos homens, Ele nunca perde o controle da história. Afinal, como disse Paulo: “[...] todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8.28).

III. Antecedentes históricos

1. O deserto chegou ao fim

Quando a história do livro de Josué começou a acontecer, Israel tinha na sua memória recente a caminhada de 40 anos infrutíferos pelo deserto, por não aceitar a “reforma da casa” que Deus queria fazer, como mencionei em outro lugar: A geração que saiu do Egito, infelizmente, não entendeu que o Senhor a conduziu ao deserto para ser transformada. Deserto, porém, não é um lugar de habitação, de passar o resto da vida, mas de caminhada, lugar de passagem, de transição. 
Quando não se compreende isso, então o deserto pode se transformar na pior experiência da vida. O Espírito de Deus revelou a Moisés o propósito da jornada dos hebreus no deserto, ao dizer que os guiou por um “grande e terrível deserto de serpentes ardentes, e de escorpiões, e de terra seca, em que não havia água” (Dt 8.15), com o objetivo de “te humilhar, e te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos, ou não” (Dt 8.2). Deus queria, naquele lugar de transição, que houvesse um aprofundamento do relacionamento com o Senhor.5

Neste novo período, fora do deserto, em que não haveria nem nuvem, nem coluna de fogo para guiá-los diariamente, nem maná ou água brotando da rocha, eles experimentariam o milagre cotidiano da abundância. Com isso, o Senhor rompeu o ciclo letárgico de murmuração, inércia e comodismo, fazendo com que o seu povo, a partir da aquisição de uma visão mais ampla e profunda, anelasse horizontes longínquos, empreendesse esforçadamente e com perseverança, especializando-se na arte da guerra e, por fim, tomasse posse de novas terras nunca antes palmilhadas, assegurando um duradouro e profícuo tempo de conquistas. Sempre depois de um deserto, há tempos de abundância; e sempre há abundância em períodos de deserto. A vida daquele que anda com Deus está habitualmente em movimento.

2. Deuteronômio — As últimas palavras de Moisés

Com o fim da caminhada no deserto, o povo chegou à fronteira da Terra Prometida. Nesse instante, foi preciso fazer uma retrospectiva do compromisso assumido com a palavra de Deus. A coisa mais importante do ministério de Moisés não era a conquista da Terra Prometida (como, certamente, ele pensava), mas o estabelecimento de regras morais, sociais e espirituais para os hebreus, como dito alhures. Assim, Moisés fez um longo discurso, chamando o povo à responsabilidade de andar com o Senhor e receber dEle as promessas.

Com isso se aprende que, se alguém quiser ir adiante e conquistar novas terras, precisa manter os compromissos com o Senhor em dia.

3. Um novo tempo de fé e expectativas

A geração que sobreviveu ao deserto e que ouviu as últimas instruções de Moisés estava pronta para enfrentar os desafios que se avizinhavam, diferentemente do que aconteceu 38 anos antes, quando Deus reprovou a geração que passou pelo Mar Vermelho (Nm 13).

Em breve, eles tomariam posse de riquezas e glórias, pois “ao pecador dá trabalho, para que ele ajunte, e amontoe, a fim de dar àquele que agrada a Deus” (Ec 2.26, ARA).

Conclusão

O livro de Josué relata o chamado de Deus para todo o povo de Israel viver sob uma nova perspectiva, um tempo de conquistas, razão maior pela qual o Espírito Santo inspirou o autor a contar essa linda e comovente história, estabelecendo-a como um marco indelével para todos aqueles que desejarem ter um relacionamento com o Altíssimo ao longo da vida, sendo transformados de glória em glória à proporção que prosperam.

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