Lição 1 - A Ética dos Dez Mandamentos

Assunto: O DECÁLOGO: A Ética do Sinai
Lição: Jovens e Adultos
Trimestre: 2° de 2020
Comentarista: Pr. Walter Brunelli
Editora: Central Gospel / Revista do Professor



TEXTO BÍBLICO BÁSICO

Êxodo 20.1-4, 7-10, 12-17

TEXTO ÁUREO
Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida. 1 Timóteo 1.5

SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DIÁRIO
2ª feira - Romanos 2.12-16
A justiça de Deus
3ª feira - 2 Timóteo 4.1-5
Virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina
4ª feira - Eclesiastes 12.10-14
Teme a Deus e guarda os seus mandamentos
5ª feira - Romanos 15.1-6
Para nosso ensino foi escrito
6ª feira - Hebreus 7.18,11-19
A Lei nenhuma coisa aperfeiçoou
Sábado - Gaiatas 3.6-14
Pela Lei, ninguém será justificado

OBJETIVOS

Ao término do estudo bíblico, o aluno deverá ser capaz de:

• compreender que os Dez Mandamentos foram entregues, em primeiro lugar, para Israel;

• entender que os Dez Mandamentos são uma referência para dar ciência ao homem do que é pecado;

• concluir que a ética dos Dez Mandamentos traz valores imutáveis, segundo o pensamento de Deus.

ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS
Caro professor, a Escola Dominical é um dos instrumentos utilizados por Deus para manter, mudar e fazer crescer a Sua Igreja. Manter os princípios doutrinários, que devem ser imutáveis; mudar o caráter e o modo de agir de seus alunos, confrontando-os com a Palavra de Deus, e visar à formação de novos discípulos segundo o modelo divino; coibir os elementos e ingredientes que impedem o crescimento da Igreja, proporcionando-lhe um ambiente saudável. Portanto, a EBD pode ser usada por Deus para produzir mudanças necessárias no meio sociocultural, na população em geral e dentro da própria igreja (Revista Educação Cristã Hoje, 1. Central Gospel, 2012, p. 26).
Boa aula!

COMENTÁRIO
Palavra introdutória
Todo indivíduo nascido em um lar estruturado tem a noção básica de uma vida correta; isso, em si, já seria um bom ponto de partida, porque a Lei foi posta no coração do ser feito à imagem e semelhança de Deus (Rm 2.14,15). Mas, o Soberano Senhor conhece as limitações do ente humano e sabe que não lhe seria possível andar de modo independente; além disso, Suas exigências transcendem ao que se pode abrigar no coração. Era previsto, portanto, que o homem, um dia, criaria para si novos valores éticos (2 Tm 4.3,4).


1. AS LEIS DE DEUS
Todo grupo social, do macro ao microcosmo, da nação ao lar, precisa de normas para que se estabeleçam o equilíbrio e o limite nas relações. No interregno da sua caminhada do Egito para Canaã, os hebreus foram formados por Deus como nação e, por essa razão, precisariam de uma constituição que os norteasse. Assim, Deus entregou a Moisés as leis que regeriam aquele povo. Foram 613 mandamentos (mitzvot), sendo 248 positivos (mitzvot asse = faça) e 365 negativos (mitzvot ló taassê = não faça). Os judeus veem nesses números uma didática divina, na qual o número 248 corresponderia aos principais membros do corpo humano, e o número 365 corresponderia ao número de dias do ano.

Dos 613 mandamentos, os Dez Mandamentos, conhecidos pelos hebreus como as Dez Palavras - e mais tarde, na Septuaginta (LXX), uma tradução do Antigo Testamento do texto original hebraico para o grego, feita por 72 escribas na Alexandria, no Egito, entre os anos 284—247 a.C., chamada de Decálogo —, constituem um resumo didático da ética de conduta, chamados por Deus de sabedoria para os hebreus (Dt 4.6).

1.1. Os destinatários da Lei

A história do Antigo Testamento é baseada nas leis mosaicas, ou seja, o pano de fundo veterotestamentário é a nação israelita sendo regida, guiada e instruída pela Lei: os profetas, por exemplo, reivindicavam obediência às leis e proclamavam juízos contra a nação toda vez que ela transgredia os mandamentos da lei divina (Os 4.6; 11.7, Mq 6). Não se pode enxergar o Antigo Testamento senão sob a ótica da Lei, ainda que ele esteja aquém e além dela.

Deus destinou as leis ao povo da antiga aliança, os hebreus. Aquele povo vivia um intenso pluralismo religioso em meio a diferentes crenças na terra do Egito. Faltava-lhes orientação quanto ao Deus dos seus pais, enquanto viam e ouviam o discurso dos egípcios na propagação e culto aos seus deuses. Depois de haverem recebido as leis de Deus pelas mãos de Moisés, o povo tinha de se comprometer com elas: aprendendo-as e praticando-as. O capítulo seis de Deuteronômio ilustra muito bem esse fato (Dt 6.1-9).

Do Antigo Testamento, extraímos grandes lições do poder de Deus na vida dos patriarcas e dos profetas; extraímos também palavras de consolo no Livro dos Salmos; além disso, buscamos revelações — chamadas de sombras — nas tipologias do sacrifício e do culto, que saltam aos olhos no Novo Testamento.

1.2.   Para os hebreus ou para a Igreja?

Como justificamos a inspiração literal das Escrituras se colocamos dois pesos e duas medidas para cada uma das partes que as compõem? Paulo disse que tudo quanto dantes foi escrito, para o nosso ensino foi escrito (Rm 15.4).

A Primeira Aliança tem como base a história de Israel desde a sua formação (Gn 12); a Nova Aliança foca Jesus, o Verbo encarnado, bem como o nascimento e desenvolvimento da Igreja (Jo 1.14). Contudo, é preciso compreender que o Antigo e o Novo Testamentos se completam, sendo Cristo o centro de toda Escritura e o ápice da revelação de Deus aos homens (Hb 1.1-3).

1.3.   O ambiente criado por Deus para a entrega da Lei

Os hebreus já haviam experimentado sinais extraordinários da presença de Deus entre eles, desde que saíram do Egito; porém, logo no início da viagem, o Senhor expressou a Moisés o desejo de se revelar de modo peculiar ao Seu povo.

O Senhor marcou um encontro com os hebreus defronte ao monte Sinai Para esse encontro, que ocorreria três dias depois do anúncio, os hebreus deveriam estar devidamente preparados, bem como seguir algumas normas de segurança: todos deveriam banhar-se, usar roupas limpas, manter abstinência sexual e guardar distância do monte (Êx 19.10-12,15).


No instante em que a glória de Deus manifestou-se, o monte tremeu e eclodiram relâmpagos e trovões. O barulho era ensurdecedor, fazendo assustar o povo, a ponto de muitos pedirem a Moisés que falasse com eles e não o Senhor (Êx 19.16-20; Hb 12.18-21).

Foi em um ambiente como esse — em que homens e mulheres presenciaram uma pequena faísca da glória divina a ponto de ficarem aterrorizados — que Moisés recebeu as tábuas da Lei, contendo os Dez Mandamentos (Êx 32; 34).

1.4.   A implementação da Lei

Os Dez Mandamentos são um resumo da aliança estabelecida entre Deus e o Seu povo. O Decálogo expressa princípios óbvios para a consciência humana, principalmente no que tange às normas para um bom convívio social. Não matar, não furtar, não cobiçar a mulher do próximo, não dar falso testemunho e não cobiçar a propriedade alheia são atitudes de importância incontestável; mas, por que razão o Senhor as valorizou tanto e as escreveu em tábuas de pedra com o Seu próprio dedo quando, segundo Paulo, elas já estavam escritas no coração dos homens (Rm 2.14,15)?

De que adianta os homens terem a Lei na consciência e transgredi-la constantemente? Ao menos, estando escritas, elas fazem parte de um conjunto de princípios inalteráveis que, a seu próprio tempo, servirão de acusação dos pecados praticados perante o Senhor, responsável último por julgar o transgressor.

O papel da Lei é servir de aferidor. A Lei serve para dizer o que não se deve fazer e o que se deve fazer. Ela expressa, em resumo, a vontade divina.

1.5.   A divisão da Lei

A Lei Mosaica divide-se em três categorias: morais, civis e cerimoniais.

• Nas leis cerimoniais, estão estabelecidas as exigências para o culto realizado no tabernáculo e, posteriormente, no templo (Êx 25; 28; 35) vale ressaltar, no entanto, que, desde que Jesus veio à Terra e derramou o seu sangue na cruz, o véu do templo se rasgou de alto e alto a baixo (Mt 27.51) e os sacrifícios de animais foram interrompidos, ou seja, todos esses símbolos eram sombras de uma revelação muito superior. Cristo (Hb 9.1—10.18). Nessa mesma categoria está incluída a guarda do sábado (Êx 20.8-12).

• As leis civis falam da relação do indivíduo com a nação.

• As leis morais falam da relação do indivíduo com Deus adorar somente a Deus (Êx 20.2,3) — e com o próximo — não matar, furtar ou adulterar, por exemplo (Êx 20.13-15).

2. A IMPORTÂNCIA DA LEI

Se a Lei foi dada por Deus, por intermédio de Moisés, ao povo hebreu, e se estamos na era da graça, qual é a importância da Lei para nós, hoje? Devemos observá-la e aplicá-la do mesmo modo que o povo da antiga aliança?

Como discípulos de Jesus, precisamos submeter tudo aos ensinos e obra do Salvador (Jo 7.17). Além disso, cada aliança (Lei e Graça) precisa ser compreendida a partir dos seus contextos e propósitos específicos. Lembremo-nos de que o Filho de Deus resumiu toda Lei em dois mandamentos, a saber: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo (Mt 22.34-40).

2.1.   A Lei e a Igreja

Uma vez que Jesus cumpriu integralmente a Lei (Mt 5.17) — principalmente a do sacrifício que Ele fez por nós, isentando-nos de praticá-lo, esta foi aliviada, mas ela não perdeu a sua função. Se não houvesse Lei, não haveria iniquidade, porque faltaria um aferidor que declarasse o que é e o que não é pecado: (...) onde não há lei também não há transgressão (Rm 4.15; 5.13; 7.7,8). Todavia, há uma Lei, e Paulo afirma que ela é santa; e o mandamento, santo, justo e bom (Rm 7.12).

A Lei insiste na primeira declaração de Deus sobre a relação entre o pecado e a morte: certamente morrerás (Gn 2.17). A transgressão (quebra da Lei) resulta em morte.

Lei, portanto, serve não apenas para anunciar que determinado pecado foi cometido, mas também para adjetivá-lo: Logo, tornou-se-me o bom em morte? De modo nenhum! Mas o pecado, para que se mostrasse pecado, operou em mim a morte pelo bem, a fim de que pelo mandamento o pecado se fizesse excessivamente maligno (Rm 7.13).

3. OS DEZ MANDAMENTOS

Há algumas perguntas cabíveis sobre a validade do decálogo divino. Os Dez Mandamentos são válidos para a Igreja, ou foram destinados somente à nação de Israel, para a qual o Senhor também entregou todas as leis mosaicas? Há alguma relevância em memorizarmos os Dez Mandamentos sem, no entanto, cairmos em uma prática judaica que nos obrigaria a guardar também o sábado? A resposta pode ser simples e objetiva, se compreendermos que os mandamentos do Senhor são de maior proveito e têm melhor significado prático quando a prioridade está na manutenção da vida e na preservação da existência. Contudo, toda cautela será necessária, se a religiosidade e os legalismos infrutíferos tiverem primazia (Tg 1.26,27).

3.1.   A ética da Lei

Como Igreja que somos, devemos ter absoluta clareza em relação aos benefícios e, ao mesmo tempo, às restrições impostas pela Lei. A Lei não salva ninguém E é evidente que, pela lei, ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé (G1 3.11). A mais clara distinção entre Israel e a Igreja está no modo como cada um se apresenta diante do Altíssimo: aqueles, pelas obras da Lei; a Igreja, pela fé, confiando nos benefícios da graça (Rm 4.4,5).

Contudo, pelos motivos já expostos, devemos dar à Lei a devida importância no que concerne à vontade de Deus nas nossas atitudes em relação a Ele mesmo e ao próximo, de acordo com o decálogo divino. O Decálogo tem uma função ética, conforme estudaremos doravante.

3.1.1. O papel da ética

A ética — no grego ethos (costume, disposição, hábito) e no latim moris (vontade, costume, uso, regra) — tem como finalidade: levar o homem a buscar a prática correta do bem e se afastar do que é mal para a vida e para a sobrevivência (1 Pe 3.11). Ligada diretamente à ética, está a deontologia (obrigação, dever). A ética deontológica mostra ao homem o que ele deve cumprir.


3.1.2. A ética objetiva e a ética subjetiva

A diferença entre ética objetiva e ética subjetiva está no seguinte fato: a ética objetiva é uma norma apresentada por um ente superior a qual deve ser seguida por todos para que se alcance um bem comum; já a ética subjetiva é uma norma criada pelo indivíduo, segundo os seus próprios critérios de valor. Na prática, a ética objetiva submete-se ao que "Deus diz", enquanto a ética subjetiva parte do que "eu acho".

Deus não poderia deixar por conta dos homens esse poder de escolha, uma vez que o homem está morto em seus delitos e pecados e é guiado pelo espírito que opera nos filhos da desobediência (Ef 2.1-3). Diz o profeta Jeremias: Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá (Jr 17.9)?

3.2.   A validade eterna dos princípios legais

Os Dez Mandamentos condensam as principais exigências do Senhor para os homens; este resumo gerai das leis divinas pretende fazer com que o ser humano não escolha fazer apenas a sua vontade, desconsiderando o que pode ou não agradar Aquele que o criou.

No mundo atual, a ética tem sido relativizada. A sociedade pós-moderna tem evocado para si direitos e liberdades que não correspondem à vontade revelada de Deus. Foi por essa razão que o Senhor nos deixou um referencial absoluto, escrito em tábuas de pedra; ao olharmos para essas tábuas sempre seremos confrontados por elas, pois essas leis são perenes (Mt 5.18,19).

A era da Graça não é um tempo sem Lei, muito pelo contrário, o Sermão da Montanha (Mt 5—7), por exemplo, contém princípios divinos norteadores para os seguidores de Jesus e para todo aquele que deseja ser reconciliado com o Criador (Jo 6.68).

CONCLUSÃO

É de fundamental importância entender que, para o Antigo Testamento, toda a conduta era controlada pela letra da lei, não pela consciência; e o homem estava mais preocupado com as suas atitudes perante o Senhor do que perante os homens.

No Novo Testamento, no entanto, o apóstolo Paulo afirma que o fim do mandamento é a caridade de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida (1 Tm 1.5).

ATIVIDADES PARA FIXAÇÃO
1.      Além das tábuas de pedra, onde mais Deus colocou as suas leis?
R.: No coração do homem.

2.      Em quais categorias as leis se dividem?
R.: Morais, civis e cerimoniais.

3.      Segundo o Novo Testamento, a Lei pode salvar?
R. Não.

4.      O Decálogo é válido para a Igreja?
R.: Sim.

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