Lição 2 - Existe Somente Um Deus

Assunto: O DECÁLOGO – A Ética do Sinai
Lição: Jovens e Adultos
Trimestre: 2° de 2020
Comentarista: Pr. Walter Brunelli
Editora: Central Gospel / Revista do Professor

TEXTO BÍBLICO BÁSICO
Deuteronômio 6.1-9
TEXTO ÁUREO
Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Êxodo 20.4

SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DIÁRIO
 feira - Levítico 26.1-13
Eu sou o Senhor, vosso Deus
 feira - Êxodo 5.1-5
Quem é o Senhor, cuja voz eu ouvirei?
 feira - Gaiatas 6.1-10
Deus não se deixa escarnecer
 feira - Isaías 42.1-9
A minha glória, pois, a outrem não darei
 feira - Deuteronômio 10.12-22
Temas o Senhor, teu Deus
Sábado - 1 Crônicas 16.24-30
Dai ao Senhor a glória de seu nome
OBJETIVOS
Ao término do estudo bíblico, o aluno deverá ser capaz de:

• entender por que Deus não tolera idolatria;
• compreender que todo ato idólatra afronta a Deus na Sua natureza;
• discernir que tanto os que fazem ídolos quanto os que os adoram estão sob a ira de Deus.

ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS
O professor da EBD precisa entender que a igreja deve envolver-se com as questões do mundo, buscando e ensinando soluções para os problemas e misérias que atingem a sociedade. Se o professor tem a consciência de que a vida não é uma existência em duas esferas — uma espiritual e outra física — então o conteúdo a ser transmitido, o testemunho e a ação da igreja não devem ser alterados de acordo com o local onde ela está inserida. Pelo contrário, ela deve agir no mundo, apresentando as verdades e os princípios bíblicos para que os problemas sociais e culturais sejam solucionados (Revista Educação Cristã Hoje, ng 1. Central Gospel, 2012, p. 27).

COMENTÁRIO
Palavra introdutória
Deus não precisa se autoafirmar como Deus porque Ele é Deus! Ele também não depende do ser humano para o que quer que seja, porque Ele dá conta de si mesmo.
 
Deus é autossuficiente, entretanto, criou o homem para relacionar-se com Ele. Assim foi no princípio da criação, antes de o pecado entrar no mundo (Gn 3.8). Porém, embora tenha pecado, Deus jamais desistiu daquele ser feito à Sua imagem e semelhança; ao contrário, continuou em busca dele, revelando-se a ele de muitas maneiras ao longo da História, quer pela natureza, quer pelos profetas, quer por intermédio do Seu Filho, quer pela Sua Palavra, quer pelo Seu Espírito, quer pela Igreja.

Dada à Sua importância e inestimável autoridade, Deus estabelece os termos dessa relação. Uma linha divisória foi posta entre Ele e nós, seres humanos: Ele é o Criador; e nós, criaturas. Estabelecida essa hierarquia, seguem-se os outros itens desse contrato, que é impositivo; por isso, chamado de mandamentos.

1. DEUS TEM CRÉDITO

No Egito, os hebreus foram escravizados e, por isso, viviam humilhados; porém o Senhor mudou a sorte do povo escolhido (Lv 26.13). Deus fez questão de lembrar à nação hebreia o que fizera por ela: Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão (Êx 20.2). É possível que Jeová tenha prefaciado os Mandamentos com essa lembrança, primeiro porque esperava a gratidão dos hebreus e, segundo, porque ao longo dos 430 anos em que viveram como escravos no Egito, eles não tinham pouca compreensão sobre o Senhor e sobre a Sua participação na história deles. Tudo o que sabiam sobre Abraão, Isaque, Jacó e José advinha da tradição oral.

Não havia literatura nem culto a Deus no Egito. No texto bíblico, Moisés aparece como o primeiro líder dos hebreus; estes viviam confusos em meio às crenças pagãs daquele país. Mas, o povo da antiga aliança teve grandes amostras do poder do Altíssimo quando dez pragas assolaram aquela terra e quando, com mão forte, o Soberano eterno livrou-o da escravidão, abrindo-lhe o mar Vermelho para que por ele passasse.

Deus deu sinais ao Seu povo para mostrar que estava com ele. A cada sinal manifesto, os hebreus eram beneficiados; e os egípcios, prejudicados. Com isso, o Senhor queria anunciar que era merecedor de todo crédito e fidelidade. Apesar disso, no decorrer da história bíblica, inúmeras vezes Israel fracassou na sua lealdade aos preceitos de Deus, deixando-se seduzir por crenças pagãs. Nos dias do rei Acabe, por influência de sua mulher Jezabel, esse rei oficializou o culto a Baal na nação.

1.1.   O desafio de Faraó

Quando Moisés e Arão disseram a Faraó que tinham ordem de Deus para que ele deixasse os hebreus saírem do Egito, receberam como resposta: Quem é o Senhor, cuja voz eu ouvirei, para deixar ir Israel? Não conheço o Senhor, nem tampouco deixarei ir Israel (Êx 5.2); porém a Bíblia adverte: Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará (Gl 6.7).

1.2.   A resposta de Deus

Não haveria a menor possibilidade de Faraó ficar sem uma resposta da parte de Deus, e ela veio por meio das dez pragas. O Senhor as enviou principalmente para desmascarar os falsos deuses daquele país, os quais nada puderam fazer para extirpá-las.

Cada praga confrontava diretamente a ação protetora de um deus egípcio. Observe:

• ísis, a deusa do Nilo, teve suas águas transformadas em sangue (Êx 7.15-18).

• Rãs, a deusa do nascimento (que tinha cara de rã), foi confrontada com a praga das rãs (Êx 8.2-6).

• Set, o deus do deserto, foi desmascarado por piolhos; estes causavam tanto incômodo quanto a poeira do ermo levada pelo vento (Êx 8.16-19).

• Uatchit, simbolizado pela mosca, foi desmascarado pelas moscas (Êx 8.24).

• Hactor, a deusa do gado (que tinha a cabeça de vaca), e Ápis, o deus boi, foram ridicularizados pelo Senhor, que matou o gado (Êx 9.1-5).

• Sekhmet, o deus das doenças, e Sunu, o deus da peste, não puderam proteger pessoa alguma das pragas de sarnas que arrebentavam úlceras pelo corpo (Êx 9.8-11).

• Nut, o deus do céu, e Osiris, o deus da agricultura, não puderam proteger a terra da invasão devastadora dos gafanhotos (Êx 10.3-13).

• Rá, o deus sol, não pôde trazer luz, quando o Senhor mandou trevas sobre o Egito (Êx 10.21-213).

• Finalmente, a morte dos primogênitos desabonou o próprio Faraó, que era tido como um deus protetor das famílias.

2. DEUS ESTABELECE O MONOTEÍSMO

Veja também:
Lições Bíblicas da Editora Central GospelAqui
 
Ao anunciar o primeiro mandamento, o próprio Deus adverte: Não terás outros deuses diante de mim. A expressão "diante de mim" mostra a Sua intolerância para com qualquer presunção que vise a estabelecer concorrência com Ele. Por que, então, Deus falaria de outros deuses? Porque quando Ele entregou a Moisés as tábuas da Lei, a Terra estava infestada de crenças em divindades criadas pela imaginação humana.

2.1.   Deus e deuses

O maior deus do Oriente Próximo chamava-se El, ele era rei e criador de muitos deuses. A própria Terra Prometida, para onde os hebreus se dirigiam, era devota de vários deuses. Baal, a principal divindade cananeia, cujo significado é senhor, era um deus agrário representado pela chuva. Considerado o deus das tempestades, o deus masculino da fertilidade, Baal foi desmascarado na época do profeta Elias, quando a terra ficou seca durante três anos (1 Rs 17—18).

Os cananeus também cultuavam as deusas femininas da fertilidade, Aserá e Astarote. Nos cultos a essas divindades, havia prostituição e orgias por entre as árvores dos bosques.

O culto ao deus Moloque, por sua vez, exigia o sacrifício no fogo de crianças inocentes de até dois anos de idade — elas pagavam pelas culpas dos homens.

Era em uma terra como essa que os filhos de Abraão se estabeleceriam, e Deus, por intermédio do Seu povo, queria mudar esse quadro, por isso deu-lhes mandamentos.

2.2. Uma glória exclusiva

O Senhor não aceita ser trocado, tampouco admite ser comparado a qualquer outra divindade, isso porque Ele é o único Deus. Quando os homens oferecem cultos a qualquer subproduto da imaginação humana, o Eterno sente-se afrontado, pois Sua glória é eterna e absoluta: Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois a outrem não darei, nem o meu louvor, às imagens de escultura (Is 42.8). As declarações de Deus a Seu próprio respeito ressaltam a Sua santidade. Deus é absolutamente separado desse mundo de rituais e crenças religiosas, as quais exaltam outras forças que incidem sobre o homem e a natureza.

2.3.  Um povo exclusivo

Os hebreus ganharam notoriedade na história da humanidade, pois foi por meio deles que o Deus Criador revelou-se de modo singular. Todas as nações da terra estavam contaminadas pelas crenças em deuses diversos, mas o Deus único e verdadeiro revelou-se por meio da nação que é chamada de santa. Não por outra razão, Israel é combatida e odiada até os dias de hoje (Êx 19.5,6; 1 Pe 2.9).

Por ser um povo exclusivo e santo, os hebreus foram proibidos por Deus de se misturarem com outros povos. Um hebreu jamais poderia se casar com alguém que não pertencesse à sua etnia, afinal, a prostituição espiritual começa em um nível afetivo (Êx 34.15,16). No Novo Testamento, a mesma exigência permanece (2 Co 6.14-18).

3. EXIGÊNCIAS LIGADAS AO PRIMEIRO MANDAMENTO


0 mandamento, em si, como artigo estatutário, é simples e curto; porém, os seus desdobramentos dão-lhe clareza e importância. Dentre eles estão: o amor, o temor, a adoração, a confiança e a obediência.

3.1. O amor

No Livro de Deuteronômio, cujo significado é repetição das leis, há uma declaração que deveria ser repetida em uma devoção diária pelos filhos de Israel, para lembrá-los de que há somente um Deus, a saber: o Shema (ouvir) (leia Dt 6.4-6). Esse Deus único deve ser amado. Essa é a relação de afeto que Ele espera ter do Seu povo. Jesus referendou o Shema, quando confrontado pelos religiosos fariseus (Mt 22.37-40).

3.2. O temor

O temor é uma das mais elevadas expressões humanas, podendo ser negativo ou positivo. O Livro de Hebreus fala do temor da morte que leva os homens a se tomarem escravos do diabo (Hb 2.15); mas, há um temor positivo, o devido a Deus, que implica absoluta reverência a um Ser que tanto pode matar e lançar a alma no inferno quanto dar a vida (Mt 10.28).

Como desdobramento do primeiro mandamento, há uma exigência ao temor: Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor teu Deus, pede de ti, senão que temas o Senhor teu Deus e que andes em todos os seus caminhos, e o ames e sirvas ao Senhor, teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma para guardares os mandamentos do Senhor e os seus estatutos, que hoje te ordeno, para o teu bem (Dt 10.12,13)?

3.3. A adoração

Dai ao Senhor a glória de seu nome; trazei presentes e vinde perante ele; adorai ao Senhor na beleza da sua santidade (1 Cr 16.29). O diabo tentou usurpar a adoração — condição devida única e exclusivamente ao Senhor do Universo. Porém, nada nem ninguém podem roubar-lhe esta glória (Is 14.13,14; Mt 4.9,10).

Os seres humanos são propensos à devoção ligada a algo tangível; por isso fabricam ídolos, que conferem a falsa sensação de uma entidade divina presente. Deus, no entanto, não aceita ser substituído por qualquer imagem. Ele é espírito e quer que os homens conheçam a Sua natureza pela fé: Deus é espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade (Jo 8.24).

3.4. A confiança

Está implícito no primeiro mandamento que o Senhor é digno de confiança. Quando Ele mesmo diz: Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito (...) (Êx 20.2), Ele tem o que mostrar. É essa confiança que leva os crentes a buscá--lo em oração.

3.5. A obediência

No que tange aos Seus preceitos eternos, o Altíssimo é intransigente: a bênção resulta da obediência; e a maldição, da desobediência — as insígnias desses resultados estão nos montes Ebal e Gerizim, onde foram proferidas as leis de bênçãos e maldições, respectivamente (Dt 27.11-26; 28.1-28). É fato: os Mandamentos são impositivos; assim, obedecê-los implica satisfazer às exigências do próprio Deus.

CONCLUSÃO
Dificilmente uma crença politeísta será coerente em seus valores éticos. As divindades não concordam entre si quanto ao que se pode ou não fazer. O que garante o absolutismo de um padrão ético elevado, capaz de estabelecer uma relação harmoniosa entre o homem e os seus semelhantes é o fato de existir um Deus que é, ao mesmo tempo, onipotente, justo, bom e capaz de se aproximar dos seres que criou, estabelecendo contato com eles nas bases do amor.

ATIVIDADE PARA FIXAÇÃO
1. De acordo com o Shema, o que Deus espera do Seu povo? R.: Ser amado.

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