Subsídios 3: Eleição e predestinação (Classe: Adultos)


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Este Estudo tem por objetivo auxiliar no aprofundamento da lição 3
Classe: Adultos | Revista Lições Bíblicas 2° Trimestre de 2020, CPAD | Autoria: Pr. Douglas Baptista| Compre Aqui a Revista.

Eleição e predestinação são termos importantes na compreensão da doutrina da salvação. Esses termos às vezes são usados por alguns teólogos de modo intercambiável. Em contrapartida, a maioria dos intérpretes arminianos faz distinção entre os termos. O teólogo pentecostal Severino Pedro da Silva avalia que a eleição e a predestinação “segue quase que paralelamente os mesmos ditames [...] e que alguns já chegaram até a sugerir que uma é a consequência da outra”. De qualquer modo, esses vocábulos ligados entre si elucidam o plano divino de salvar os pecadores.

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    1.    A Eleição divina

Paulo faz uso de dois termos que revelam a soberana vontade divina: “como também nos elegeu [...] e nos predestinou” (1.4-5). A expressão eleição significa “escolha”, e predestinação tem o sentido de “determinar antes”. Esses vocábulos ligados entre si explicam que, pela presciência divina, Deus soube quem iria crer e perseverar em Cristo desde a eternidade e elegeu-os conforme a sua vontade e, para esses eleitos, determinou propósitos específicos (1 Pe 1.2). O teólogo arminiano Henry Clarence Thiessen menciona três pontos importantes dessa doutrina bíblica da eleição divina:

Primeiramente, a eleição é um “ato soberano de Deus em graça”. Deus não tem a obrigação de escolher ninguém, visto que todos são igualmente pecadores, merecendo assim a condenação. Em segundo lugar [...], a eleição é Cristocêntrica — “pelo qual escolheu em Jesus Cristo”. A eleição do indivíduo ocorre somente em união com Jesus Cristo pela fé. Não existe eleição fora de Cristo [...] a eleição contempla “aqueles que de antemão sabia que O aceitariam”. A compreensão da relação entre a eleição e a presciência de Deus é sumamente importante para o entendimento adequado da doutrina.

Essa conceituação fundamenta-se nas Escrituras Sagradas, e tal interpretação foi defendida por grande parcela dos Pais da Igreja e, no período da Reforma Protestante, foi sustentada por Jacó Armínio e boa parcela dos primeiros reformadores do século XVI.47 Mais tarde, em 1619, essa compreensão foi condenada pelos calvinistas por ocasião do Sínodo de Dort. E, apesar de a interpretação de Armínio ter sido ferozmente combatida pelo calvinismo, atualmente cerca de 80% dos evangélicos são de confissão soteriológica arminiana.

Veja também:
Esse entendimento da maioria dos cristãos também é a compreensão do pentecostalismo clássico.50 Além disso, o conceito de eleição entre os pentecostais “inclui a previsão de Deus quanto àquilo que o homem irá fazer com a sua própria liberdade, mas depende, para sua realização, da graça soberana de Deus”. Nesse sentido, não há nenhum conflito entre a soberania de Deus e a liberdade humana. Outro detalhe a ser considerado na eleição é o seu aspecto corporativo, que inclui os indivíduos em associação com o corpo de Cristo, a Igreja. Eis a posição da Declaração de Fé das Assembleias de Deus.

Deus elegeu a Igreja desde a eternidade, antes da fundação do mundo [Ef 1.4], segundo a sua presciência [1 Pe 1.2; 2 Ts 2.13]. O Senhor estabeleceu um plano de salvação para toda a humanidade [...] (Tt 1; 2); pois essa é a sua vontade [1 Tm 2.3-4]. Assim como Deus não elegeu uma nação já existente, mas preferiu criar uma nova a partir do patriarca Abraão [Gn 12.2], o Senhor Jesus Cristo, da mesma forma, criou um novo povo formado por judeus e gentios (Ef 2.14 [1 Co 12.13]).

Esse enunciado atesta que a eleição é corporativa. Significa que a eleição em Cristo é, primeiramente, coletiva, ou seja, trata-se da eleição de um povo, a Igreja (1.4,5,7,9; 1 Pe 1.1; 2.9). Efésios menciona a eleição no plural: “nos elegeu” (1.4). Em toda a Epístola, os eleitos são tratados em conjunto: um corpo (1.23), um povo (2.14), uma família (2.19), um edifício (2.20-22) e a Igreja (3.10, 5.23ss). A Epístola assinala que Deus elegeu de antemão um conjunto de pessoas para a salvação, a Igreja. Nesse caso, “o foco da eleição não é o indivíduo, mas o grupo, o corpo, a Igreja, formada por todos aqueles que creram em Cristo e permanecerão até o fim”.

Desse modo, ratifica-se que a eleição é corporativa (coletiva) e também cristocêntrica — pois somente “é eleito” quem estiver em Cristo. Esse também é o parecer de Donald Stamps, editor geral da  Bíblia de Estudo Pentecostal: “[...] a eleição é coletiva e abrange o ser humano como indivíduo, somente à medida que este se identifica e se une ao corpo de Cristo, a igreja verdadeira”.54

2. As condições da eleição

Deus oferece a salvação para todos, pois “quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2.4). Essa doutrina é conhecida como “expiação ilimitada”, também chamada de “expiação universal qualificada”. Trata-se de uma das doutrinas mais claras de toda a Bíblia Sagrada. É a resposta para a pergunta: “Por quem Jesus Cristo morreu? Somente por alguns poucos ou pelos pecadores do mundo todo?”.

A declaração arminiana afirma que “Cristo, o Salvador do mundo, morreu por todos e por cada um dos homens, de modo que obteve reconciliação e remissão dos pecados por sua morte na cruz, porém, ninguém é realmente feito participante dessa remissão, exceto os crentes”.55 Esse entendimento equivale acreditar na revelação contida na Bíblia Sagrada, isto é, que Deus amou o mundo e enviou o seu Filho “para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). A Declaração de Fé das Assembleias de Deus corrobora com esse ensino bíblico:


Por isso, o Pai enviou o seu amado Filho Jesus Cristo [1 Jo 4.9] para morrer em nosso lugar [1 Co 5.7], providenciando-nos uma salvação eterna, completa e eficaz [Hb 5.9]. O Evangelho contempla a todos e a ninguém exclui: “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt 2.11). Por conseguinte, a salvação está disponível a todos os que creem [Jo 3.15-16]. Sim, todos nós, sem exceção, podemos ser salvos através dos méritos de Jesus Cristo, pois todos nós fomos criados à imagem de Deus.


A doutrina calvinista, no entanto, discorda que Cristo morreu por todos. Para os seguidores de Calvino, “a expiação é limitada”, ou seja, Cristo morreu somente por alguns — apenas para os eleitos. Nessa visão, o sacrifício de Cristo é diminuído, e o calvário torna-se mera formalidade, uma vez que a salvação não está disponível a todos. A partir desse pressuposto, os calvinistas defendem que a eleição é “incondicional”. Conforme Calvino asseverou, significa acreditar que Deus elegeu uns para a salvação e outros para a perdição.

Contrariando esse ensino calvinista, a Bíblia Sagrada apresenta cerca de 80 textos comprobatórios que apontam para a “expiação ilimitada” — a morte de Cristo em favor da salvação de todos os homens, e não somente para alguns (Is 53.6; Mt 11.28-30; 18.14; Jo 1.7; 1.29; 3.16,17; 6.51; 12.47; Rm 3,23-24; 5.6; 5.15; 10.13; 1 Tm 2.3-6; 4.10; Tt 2.11; Hb 2.9; 2 Pe 3.9; 1 Jo 2.2; 4.14, etc.). Outro aspecto doutrinário refere-se ao ensino em que a eleição para salvação é “condicional”, e não “incondicional”. Eleição condicional significa que Deus escolhe por meio das condições que Ele próprio estabeleceu. Por isso, são eleitos somente aqueles que preenchem essas condições, e não de um modo arbitrário (incondicional). John Wesley (1703-1791), pregador anglicano, discordava do sistema calvinista, que transformava a eleição do Deus de amor em eleição de um Deus tirano e insensível para com os pecadores.

O ensino arminiano explica, como já dito, que, “por meio da presciência divina, Deus sabe, desde a eternidade, quais indivíduos creriam e perseverariam na fé, e a essas pessoas Deus elegeu”.58 Isso, portanto, não implica entender como Calvino, ou seja, que Deus tenha elegido uns para a vida e outros para danação, porque, segundo as Escrituras, Ele não quer “que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” (2 Pe 3.9). Desse modo, ratifica-se que tanto a expiação ilimitada como a eleição condicional foram estabelecidas pelo próprio Deus.

Assim, a condição mais elementar para a salvação é estar em Cristo (Ef 1.1-4). Isso implica em ratificar que a eleição é cristocêntrica, isto é, ninguém é eleito sem estar unido a Cristo. A eleição torna-se uma realidade para cada pessoa consoante o seu prévio arrependimento e fé (2.8; 3.17).59 Entretanto, esse meio não é meritório, e ninguém pode cumpri-lo sem a graça de Deus. Desse modo, fomos eleitos por iniciativa divina por causa da graciosa obra de Cristo, e não pelas nossas obras (2.8-9).

3. Vida santa e irrepreensível

Paulo primeiramente enfatiza que a finalidade da eleição é propiciar uma vida nova aos eleitos, isto é, para sermos “santos e irrepreensíveis diante dEle” (Ef 1.4b). O vocábulo grego hagios (santo), no aspecto espiritual, significa “separado do pecado” (1 Pe 1.15-16). O adjetivo grego amõmos (irrepreensível) expressa algo “sem defeito” ou “inculpável” (Fp 2.15). Os termos apontam para a santificação, isto é, o mais alto padrão ético e moral de vida a fim de agradar a Deus, que nos elegeu (Ef 5.1-3).

Nesse sentido, a eleição condicional (daqueles que atendem ao chamado divino) predestina (o destino desses escolhidos) para uma vida afastada do pecado e de conduta ilibada. O uso paulino dos termos “santo e irrepreensível” evidencia que as palavras mutuamente se correspondem e complementam-se. O ser santo denota um estado de pureza interior que reflete no ser irrepreensível — uma condição de pureza externa.60 O apóstolo reitera que fomos “criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (2.10 NAA). Portanto, não se pode conceber que os salvos em Cristo ainda possam viver na prática do pecado (1 Jo 3.6; 5.18).

4. A nova vida dos eleitos

Deus elegeu-nos e predestinou-nos a viver em santidade. Em consequência, os cristãos são exortados quanto ao trato passado: a despojar-se do velho homem (Ef 4.22), a renovar a mentalidade (4.23) e a revestir-se do novo homem, “que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (4.24). Essa orientação aponta para a necessidade de uma radical transformação. Despir-se do “velho homem” exige abandonar a velha natureza com as suas paixões, adotar uma nova perspectiva mental e uma nova forma de vida (Cl 3.9-10; Rm 6.6-9). O tema é apresentado com exortações contra a velha conduta, tais como a mentira, o furto, as palavras torpes, a amargura, a ira e a cólera (4.25,28,29,31).

Nessa nova vida, segundo a revelação das Escrituras, o crente salvo deve pautar as suas atitudes segundo a moral bíblica, baseado na integridade, e não de acordo com o contexto social em que se está inserido. Foi nesse diapasão que Paulo apresentou o primeiro contraste entre a nova e a velha vida: “Pelo que deixai a mentira e falai a verdade cada um com o seu próximo” (4.25). Esse ponto é nevrálgico para o autêntico cristão que sempre dirá a verdade, ainda que a mentira possa trazer-lhe alguma vantagem pessoal ou favorecer a coletividade.

Na sequência de orientações para o viver em Cristo, Paulo faz severas advertências contra a prostituição, a impureza, a avareza e a embriaguez (5.3,15,18). O propósito é apresentar a Deus uma “igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga [...], mas santa e irrepreensível” (5.27). Não obstante, ratifica-se que somente o Espírito Santo capacita o crente para esse viver (Gl 5.16-25). Trata-se de um processo contínuo até a glorificação final no dia de Cristo (2 Co 3.18).
 
5. A predestinação

O termo grego prooridzo, traduzido como predestinação (Ef 1.5a), é formado pelo vocábulo oridzo, que significa “determinai, e pela preposição pro, que indica algo feito “antes”; ou seja, predestinação literalmente significa “determinar antes”. A Bíblia de Estudo Pentecostal esclarece que a predestinação aplica-se aos propósitos de Deus inclusos na eleição, que a eleição é a escolha feita por Deus, “em Cristo”, de um povo para si mesmo (1.4), e que a predestinação abrange o que acontecerá ao povo escolhido por Deus (1.5).63 Por conseguinte, nossa Declaração de Fé ensina que a predestinação dos salvos é precedida pelo conhecimento prévio de Deus daqueles que, diante do chamamento do evangelho, recebem a Cristo como o seu Salvador pessoal e perseveram até o fim (Rm 8.29,30).64

Esse conceito ratifica que a predestinação não se refere à escolha de alguns para a salvação e de outros para a perdição. Não significa que Deus predestinou alguns para amá-lo e outros para desprezá-lo, ou, na melhor das hipóteses, a ser indiferente a Ele.65 O ensino onde Deus aleatoriamente salva uns e condena os demais não é coerente com o testemunho bíblico. Nas Escrituras, a salvação — como já enfatizado — é um chamado universal a toda a humanidade (Is 45.21ss; Jo 7.37ss; Ap 22.17).

Não se trata de uma dádiva concedida arbitrariamente para alguns e negada para outros. A salvação é uma bênção disponível a todos que cumprirem a condição de crer em Cristo (Mc 16.16; Jo 17.20; Rm 9.33; 10.11; Fp 1.29; 1 Tm 1.16; 1 Pe 2.6). Isso indica que Cristo morreu por todos e por cada um, todavia nem todos serão salvos, não por um ato arbitrário de Deus, mas por não preencherem as condições divinamente estabelecidas. Deus concedeu ao ser humano o livre-arbítrio; logo, a oferta da salvação pode ser recusada (Jo 7.16,17).

Na Bíblia Sagrada, ao contrário da teologia de Calvino, a predestinação não abrange a condenação eterna de ninguém (2 Pe 3.9). Conquanto eleição e predestinação sejam intrinsecamente ligadas, elas não são a mesma coisa. Outro equívoco da teologia determinista é tratar a predestinação como sendo dupla, isto é, tendo dois lados: a salvação e a condenação. Reiteramos que a Bíblia somente se refere à predestinação em relação aos salvos em Cristo. Conforme assevera Donald Stamps, “a predestinação abrange o que acontecerá ao povo de Deus — todos os crentes genuínos em Cristo.

Na eleição, Deus definiu como condição o crer em Cristo (eleição condicional); já na predestinação, Deus planejou o destino e as benesses dos crentes em Cristo que atenderam o chamamento divino. No plano divino, a predestinação dos escolhidos, dentre outros, possui três objetivos específicos: (1) Serem filhos por adoção em Jesus Cristo (Ef 1.5); (2) Serem herdeiros com Cristo (1.11); e (3) Serem conforme a imagem de Cristo (Rm 8.29).

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