O rei Ciro, o conquistador da Babilônia

Chamado Ciro II, o Grande. Foi conquistador da Babilônia, que governou desde 539 A.C. até a sua morte, em 530 A.C. É assombroso o poder exclusivo de Deus de predizer o futuro, como no caso de Ciro, o conquistador de Babilônia, que, através do profeta Isaías, Deus o chamou pelo nome (Ciro), isto mais de um século e meio antes do seu nascimento (Is 44.28).

1. Nascimento de Ciro.

Calcula-se que ele nasceu em cerca do ano 600 A.C. Foi o fundador do império persa. Heródoto informa-nos que ele foi o terceiro de sua linhagem a ter esse nome. Assim sendo, ele deveria ter sido intitulado Ciro III, e não Ciro II, mas foi com este último título que ele se tornou conhecido na história.


Após a queda de Assíria, em 612 a.C., os medos passaram a controlar todo o Norte da Mesopotâmia. Cambises II, o grande rei dos persas, na época da consolidação do seu império, casou com a filha de Astíages, rei dos medos. Desse casamento nasceu Ciro II, que juntou suas forças com as de Nabonido, rei de Babilônia, e revoltou-se contra os medos, passando depois o país ao controle de Ciro. Foi este Ciro que tomou de assalto a cidade de Babilônia, na noite da grande orgia do rei Belsazar


2. Conquistas.

Ciro herdou o trono de Ansã. Reuniu uma força armada dentre os persis (moderna província iraniana de Fars) e revoltou-se contra seu suserano medo, Astíages. Aliado com Nabonido, da Babilônia, dele derrotou Astíages, em cerca de 549 A.C., e assim ocupou a capital da Média, Ecbátana, moderna Hamadã.


Em cerca de 547 A.C., ele marchou contra Creso, da Lídia, assediou sua capital, Sardes (perto da moderna Izmir), e assim aprisionou Creso. Então fez campanhas na direção do Oriente, entre muitas tribos, e ampliou os seus territórios até o rio Indo e até o sopé das montanhas do Hinducuxe. Retomando para o Ocidente, ele conquistou sua antiga aliada, a Babilônia, aparentemente sem encontrar resistência armada. Isso sucedeu em 539 A.C.

 

Não demorou a controlar a Síria inteira, bem como a Palestina. Honrava o deus babilônico, Marduque, e também os deuses de vários povos capturados. Ele permitiu que exilados de lugares estrangeiros retomassem às suas terras, e isso incluiu os judeus exilados. Portanto, foi ele quem lançou os fundamentos do vasto império persa, sob cujo domínio a Judéia permaneceu província durante os próximos dois séculos.


Ciro estabeleceu a sua capital em Pasárgade, na terra de Parsa. Ali têm sido descobertas pela arqueologia as ruínas de um palácio com a seguinte inscrição: “Eu, Ciro, o rei, o acamenida”. Desse palácio nos vem a mais antiga peça em relevo da arte persa, um gênio com quatro asas, talvez representando o Ciro deificado.


Quando ocorriam os fatos mencionados no capítulo 5 do livro do profeta Daniel, o exército de Ciro, rei da Pérsia, já sitiava Babilônia há cerca de dois anos. Essa cidade, dentro de seus muros considerados inexpugnáveis, estava preparada para resistir a um sítio por mais prolongado que fosse, mas no fim do segundo ano do cerco, a cidade foi tomada.

A história diz que a cidade de Babilônia foi tomada de noite, durante uma orgia, sem que o rei e os habitantes oferecessem qualquer resistência. Ciro, o general das tropas, comandando os exércitos medo- persas, desviou o curso do Eufrates, que passava pela cidade, e entrou pelo leito do rio, seco. O anúncio dessa captura repentina, que paralisava a cidade, é dado pelo profeta Isaías, cap. 21.9: “E eis agora vem um bando de homens, e cavaleiros aos pares (medo e persas). Então respondeu e disse: Caída é Babilônia, caída é! e todas as imagens de escultura dos seus deuses se quebraram contra a terra”. Assim como está escrito, assim aconteceu: Babilônia foi, realmente, tomada de improviso, e seu rei foi morto no estado de embriagues.

2. Seu Reinado.

Ecbátana foi a primeira capital acamenida, mas ruínas provenientes de Pasárgade mostram que Ciro edificou ali palácios e uma cidade. Ele tomou por empréstimo certos costumes e instituições dos medos. Em certo sentido, os medos eram aliados dos persas, e não tinham de pagar impostos, embora estivessem sob o controle persa. Os outros povos, portanto, chamavam o império de medo-persa. Ciro era tolerante para com os povos e suas religiões, conquistando o respeito e o apoio deles.


3. O Decreto de Ciro.

Os trechos de II Crônicas 36.22,23 e Esdras 1.2,3 informam-nos que Ciro deu permissão, aos cativos hebreus da Babilônia para retomarem à Palestina e reconstruírem o templo.

A liberalidade de Ciro, no tocante às religiões, sem dúvida foi um fator em tudo isso.


4. Ciro e a Profecia Bíblica.

A profecia de Isaías, acerca de Ciro, começa em 41.2,25 e termina em 46.11 e 48.15. Isaías previu que Ciro não somente ordenaria a reconstrução do templo, mas também a reconstrução da própria cidade (Isa. 45.13; 44.28).

Seu sucessor, Artaxerxes I, levou adiante o trabalho de reconstrução. O decreto de Ciro, mui provavelmente, incluiu a reconstrução da cidade, embora isso não seja dito especificamente. No trecho de Isaías 44.28-45:8, Ciro é chamado pelo nome, e assim os céticos têm pensado que as profecias envolvidas foram escritas após os eventos, e não antes dos mesmos.


5. Ciro e as Inscrições.

A arqueologia tem descoberto certo número de inscrições que concordam com as declarações do Antigo Testamento quanto ao governo e às atitudes benevolentes de Ciro.


Israel elogiou o homem que Deus determinara como libertador de seu povo (Isa. 45.1-4). O próprio Ciro, entretanto, afirmava-se inspirado pela divindade babilônica, Marduque. As inscrições naquele cilindro mostram a consciência que Ciro tinha de ser um homem do destino, divinamente nomeado para a sua tarefa. Essa incrível verdade, porém, aplica-se a muitos outros. Na verdade, aplica-se a todos os homens, embora à vontade de Deus sejam necessários muitos Séculos para levar todos os homens a se ajustarem ao plano de Deus. Para nós, os crentes, pela graça de Deus, essa oportunidade é chegada.


6. A morte de Ciro.

A maneira como se deu a morte de Ciro é incerta. Ele cruzou o rio Arax ao norte e atacou os massagetas. Seu exército foi destruído pelos citas. Acredita-se que ele tenha perdido a vida em uma batalha. Depois de um reinado de 29 anos, ele foi sucedido pelo seu filho Cambises, em 530 a.C.

Ciro é retratado como um político politeísta, embora também demonstre paralelos com o ponto de vista "bíblico a seu respeito, como um homem benévolo, que tinha misericórdia dos cativos.

 

Ciro é considerado pela maioria dos comentadores como o indivíduo da visão de Daniel, do carneiro com dois chifres, representando as divisões da Pérsia e da Média que faziam parte de seu império (Dn 8.3,4,20).

 

Artigo: Ev. Jair Alves

Referência:

- Dicionário Wycliffe, 2ª edição de 2007 – CPAD

- CHAMPLIN, R.N. Enciclopédia de Bíblia, teologia e filosofia. Vol 1. 11ª edição de 2013 – Editora Hagnos

- SILVA, Antonio Gilberto da. Daniel e Apocalipse. Como entender o plano de Deus Para os últimos dias. 14º Edição 2010 – CPAD

- SILVA, Pedro da. Daniel versículo por versículo. As visões para estes últimos dias. 1985, CPAD



Nenhum comentário

Imagens de tema por PLAINVIEW. Tecnologia do Blogger.